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Império de Niterói divulga a sinopse do enredo para o Carnaval 2018

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A Pedra do Reino

 

A escola do Grupo de Acesso ‘Império de Niterói’ divulgou nesta terça-feira, dia 14, a sinopse e logo para o Carnaval 2018. “A Pedra do Reino”. Confira abaixo!

Sinopse Império de Niterói 2018

 

FOLHETO I

Eu, Dom Pedro Dinis Ferreira-Quaderna, sou o mesmo Dom Pedro IV, cognominado ‘O Decifrador’, Rei do Quinto Império e do Quinto Naipe, Profeta da Igreja Católico-Sertaneja e pretendente ao trono do Império do Brasil como herança de meu bisavô, irei contar a minha história de amor e culpa; de sangue e justiça; de fantasias e realidades; de sensualidade e violência; de enigma; de morte; de lutas pelo meu Império Sertanejo. Minha história que foi o resultado de tudo o que passei e que resultou com meus costados aqui, nesta cadeia velha. Daqui de cima por esta janela gradeada que prende a minha espontânea liberdade, com a vista tremenda do sol, irei iniciar a minha história antes do meu surgimento.

Era 1836, a seita do Rei Dom Sebastião surgiu na minha terra pedregosa vinda de Portugal, onde o povo se entregou a morte e seu sangue derramado por décadas na Pedra do Reino e nos arredores do meu Nordeste, que teve meu bisavô, João Ferreira-Quaderna, o Rei Sertanejo, real líder sebastianista que se proclamou legítimo Rei do Brasil e causador dos sacrifícios sanguinários. A mesma morte, a Onça Caetana, a impiedosa, a maldita e melancólica que ceifou a vida de meu Padrinho, Dom Pedro Sebastião Garcia-Barretto, no dia 24 de agosto de 1930 no seu aposento na torre da sua fazenda. Meu padrinho se trancou naquele aposento quando a morte fria o degolou e levou a sua alma. Um corte tão profundo que não há explicação para tanta crueldade e não há resposta para que no mesmo dia da morte de meu Padrinho, seu filho caçula Sinésio sumisse como o fogo apagado por um vento forte e frio anunciando uma tempestade no meu sertão.

 

FOLHETO II

O tempo muda e eu só queria embaralhar os reis, os piões e as damas no meu jogo de cartas literário, numa epopéia de sonhos sangrentos e poéticos, mas o Rei Sertanejo de trevos e espadas enviava algum anjo ou demônio que soprava no meu ouvido que minha herança e meu destino de ser Rei do Brasil eram reais. O sopro profano ou sagrado me deu uma ideia de criar a igreja Católico-Sertaneja, que permitia que matassem os inimigos e termine o dia num castelo tomando vinho e comendo belas mulheres! Mas claro! Expulsaram-me do seminário da Paraíba por ser excêntrico demais… Entre minhas estranhas visões e sopros, a Moça Caetana, mensageira da Morte vinha me amedrontar e causar peso na minha consciência. Com sua dança híbrida e selvagem, fazia-me culpado por entregar-me as curvas de Maria Safira, uma mulher comprometida com Pedro Beato, conhecida por ter entregado sua alma ao diabo e me deixava louco como nas minhas visões mais profanas dos meus desejos carnais adormecidos.

Numa visagem que revelou diante de mim, num momento perigoso e alucinatório, vendo começar a cavalgada da volta do “Rapaz-do-Cavalo-Branco.” Naquele dia tudo aconteceu inclusive à visagem do cavalheiro diabólico. Naquele dia, Lino Pedra Verde, meu condiscípulo e colega de cantoria, depois de ter bebido teve a visagem que teria passado por um lugar devastado pelo fogo e que sentiu o chão estremecer e logo depois viu a imagem do cavalheiro chegando num nevoeiro negro acompanhado de serpentes, demônios, lagartos e dragões diabólicos que cuspiam fogo, mas foi aniquilado por um anjo sagrado enviado por São Sebastião, um anjo com lanças e espadas que impediu que o meu sertão fosse apossado pelo enviado do capeta. Essa visagem me deu a faceta de criar a Academia dos Emparedados do Sertão da Paraíba aqui na cidade de Taperoá e com influencias pelas vertentes políticas e culturais que intitulei de monarquia de esquerda.

 

FOLHETO III

Uma nova lei chegou riscando meu sertão e colocando ordem na minha terra seca dominada pelo cangaço, e eis que sou surpreendido com uma intimação vinda do Juiz Corregedor, um funcionário público velho que tinha a cabeça como a de um porco, veio da cidade grande para esclarecer a morte do meu Padrinho, sua herança deixada e o sumiço e retorno de Sinésio a Taperoá. Quando recebi essa carta, fiquei desesperado! Não sabia se meus inimigos estavam tentando tramar algo contra mim, um discípulo da arte e da poesia, como fizeram com meu Padrinho. Eu tentei convencer aos meus mentores Samuel e Clemente para serem minhas defesas nessa empreitada, mas se recusaram, pois pensaram que a intimação que me foi enviada poderia os prejudicar já são homens misturados com política. Os dois desde minha adolescência viveram em pé de guerra, um era advogado comunista negro-tapuia e o outro era direitista fidalgo dos engenhos do Recife, que após tantos insultos travaram um duelo chamado de “Ordálio Brasileiro”, onde as armas foram penicos que disputaram as defesas das respectivas honras e valores feridos pelos próprios insultos.

 

FOLHETO IV

Chegou o momento de encarar os fatos, de enfrentar o tal Juiz Corregedor e de apresentar minha autodefesa contra tal carta enviada como denúncia que me acusava de vários crimes, tudo pela ganância da herança de meu Padrinho. O Juiz dissimulado logo começou o interrogatório e Margarida, a escrivã com mãos finas digitou cada palavra dita da minha boca. O velho “Cabeça-de-Porco” me sentenciou como participante pela rebelião popular, onde Taperoá foi invadida pela cavalgada de ciganos que foram emboscados, às portas da cidade, pelo bando de cangaceiros de Ludugero Cobra-Preta em 1935.

Nessa cavalgada que conduzia Sinésio, “Rapaz-do-Cavalo-Branco”, o “Prinspo do povo e do Sangue do Vai-e-Volta”, que retornou cinco anos depois de dado como morto e que muitos acreditaram que a emboscada foi a mando de Arésio, seu meio-irmão que justo naquele dia iria receber toda a herança do meu Padrinho e não queria dividir com o irmão sumido. A cidade se dividiu entre os mais abastados, que tomaram o partido de Arésio, e o povo, que aderiu a Sinésio. Ao ver o “príncipe” ressuscitado, o povo crente da seita acreditou que ele era a encarnação do rei Dom Sebastião de Portugal, que teria voltado para instaurar seu reino mítico, representando a redenção de todo o povo pobre sertanejo.

 

FOLHETO V

O interrogatório virou a solução para eu ter escrito todo meu romance-enigmático que por causa do meu cotoco no fim da coluna não podia na época ficar sentado por muito tempo. Então, fui interrogado todo o tempo em pé, e tudo que disse naquele tribunal foi ditalografado por Margarida, uma mulher pura e recatada da alta sociedade no qual a senti muita atração e que a deixei desconsertada com meus relatos e que ela registrou toda a epopéia da minha trama, mais que mágica, colorida, cruel, sangrenta e infernal.

E hoje estou velho e preso por espontânea vontade, pois o Juiz irritado com minhas histórias loucas e excêntricas do meu reino me considerou louco e queria me absolver, mas pedi para ser encarcerado e poder escrever minha saga que era meu maior triunfo e tinha o plano tramando por mim desde a carta enviada para ele, até a união forçada entre mim e Margarida que escreveu todos meus relatos naquele depoimento de sonhos sangrentos, fascínios reais e visagens loucas trazidas pelos sopros enviados ao meu ouvido, onde toda a trajetória me coroou como Rei da raça brasileira, real pretendente ao trono do Império do Brasil e eternizado como um bobo da sua própria Corte romantizado nas folhas da minha biografia melancólica e mirabolante.

Sinopse desenvolvida por Alex San’n

Bibliografia

“O Romance d’A Pedra do Reino e o Príncipe do Sangue do Vai-e-Volta” – Ariano Suassuna

“A Pedra do Reino” – Memória Globo

 

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