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UM CARNAVAL NAS TELONAS: NOVAS LUZES SOBRE SAMBAS E BAMBAS

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UM CARNAVAL NAS TELONAS: NOVAS LUZES SOBRE SAMBAS E BAMBAS

 

Muitos livros já foram escritos sobre carnaval. Mas para quem é mais chegado no escurinho do cinema ou no conforto do sofá, novas produções mostram os bastidores do espetáculo e as origens da festa mais popular do país. Separamos 6 documentários recentes com novos olhares sobre os bastidores dos desfiles, a difusão da musicalidade africana nas Américas e os incríveis personagens que dedicaram uma vida inteira para as suas escolas e para cultura popular.

Em TIA EULÁLIA (Erick Oliveira, 2007), CANDEIA (Luiz Antonio Pilar, 2018), e CLEMENTINA (Ana Rieper, 2018), os diretores vão além dos legados particulares, costurando tramas que revelam uma verdadeira mitologia do samba carioca. Em O SAMBA QUE MORA EM MIM (Geórgia Guerra Peixe, 2010)  e O PRÓXIMO SAMBA (Marcelo Levandonski, 2016), dois pontos de vista sobre a Estação Primeira de Mangueira, mergulhando no cotidiano da quadra da Verde e Rosa e nas vielas de uma comunidade que respira carnaval o ano inteiro. Em SAMBA E JAZZ, os paralelos entre o carnaval de New Orlens e do Rio de Janeiro. Uma reflexão sobre como a diáspora africana rendeu cores e ritmos diferentes ao norte e ao sul do equador.

Boa parte da lista já faz parte da grade dos canais por assinatura dedicados ao áudio-visual brasileiro, como o Canal Brasil e o Canal Curta! Abaixo uma pequena sinopse dos filmes e aquele ziriguidum que chama atenção em cada produção.

TIA EULÁLIA: O Império do Divino. Direção de Erick Oliveira. Plano Geral Filmes, 2007. 74min.

 

O filme traz os últimos dois anos de vida da matriarca do Império Serrano, Eulália do Nascimento. Liderança feminina pioneira, Tia Eulália conta as origens do Império no quintal de sua casa, relembra os jongos das antigas rodas na Serrinha e exalta a figura de São Jorge como padroeiro da escola. Tudo regado a muita festa, cerveja e sambas-enredos consagrados.

O ziriguidum: A voz forte da sambista em plenos 94 de idade já arrepia nas primeiras cenas.

Onde ver: Lançado em DVD pela Plano Geral filmes. Está disponível gratuitamente e na íntegra no youtube. https://www.youtube.com/watch?v=93W7rhZnx8A

 

 

O Samba que mora em Mim. Geórgia Guerra Peixe, Bossa Nova Filmes, 2010. 72min.

 

A documentarista Geórgia Guerra Peixe mostra sua antiga paixão pela verde e rosa mesmo sem nunca ter subido o morro da Mangueira. A narrativa valoriza os anônimos, as casas, os botequins, os funks e as vielas. Os depoimentos são de uma verdade lacerante, pois são oferecidos fora dos holofotes: nas trocas e nos fazeres diários antes do desfile.

O ziriguidum: O mérito de colocar o espectador dentro das casas das pessoas. A câmera por vezes é colocada na altura do sofá. A sensação é tão imersiva que você sente o cheiro do cafezinho passando na cozinha.

Onde ver:  Faz parte da programação do Canal Curta! Lançado em DVD. Pode ser adquirido pelas principais lojas virtuais brasileira como a saraiva.com e a livrariadatravessa.com pelo preço médio de R$ 44,00

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Samba e Jazz. Jefferson Mello, Treme Produções Artísticas, 2014. 86min.

 

O que Nova Orleans e o Rio de Janeiro têm em comum? São as cidades que gestaram as principais manifestações musicais de origem africana em seus extremos na América: Jazz e o Samba. Tão semelhantes em origens, o documentário traça as interseções e as particularidades nas falas da Venerável Yong Man Olympians e da escola de samba Império Serrano.

O ziriguidum: No intercalar dos depoimentos, tradição e resistência são os pontos fortes no legado destes distantes foliões. Gurufins e Jazz funerals, são os exemplos marcantes destas tradições.

Onde ver:  Faz parte da programação do Canal Curta! Até então não encontramos lançamento em DVD.

 

O próximo Samba. Marcelo Levandonski, Vitrola Filmes. 2016. 107min.

 

Prepação do desfile  “Maria Bethânia: a menina dos olhos de Oyá”, da Estação Primeira de Mangueira, campeã em 2016 sob a direção do hoje consagrado Leandro Vieira.  Aqui, entre depoimentos de famosos e anônimos, Levandonski constrói uma narrativa progressiva dos bastidores do barracão até a consagração na avenida.

O ziriguidum: A perda do grande intérprete Luizito dá uma quebra emocional na narrativa institucional escolhida pelo diretor.

Onde ver: Faz parte da programação do Canal Brasil. Disponível para alugar nas prestadoras Net Now, Vivo Tv e Oi Tv. Preço médio de R$ 6,90.

Clementina – Ana Rieper, Dona Rosa Filmes. 2018. 75min.

 

Quando se trata de um nome que representa definitivamente ancestralidade afro-brasileira no samba, Clementina de Jesus é consenso entre os bambas. Revelada aos 63 de idade, Quelé trouxe na voz rouca, jongos, caxambus, vissungos, sambas de roda…um patrimônio sem precedentes que merece nossos eternos aplausos.

O ziriguidum: É um filme sobre Clementina de Jesus.

Onde ver: Faz parte da programação do Canal Curta! Também pode ser encontrada nas plataformas digitais: Looke, iTunes, Google Play e Microsoft Store.

 

Candeia  – Luiz Antonio Pilar, Lapilar Produções, 2018. 97min.

 

Compositor de clássicos como  Luz da inspiração (1975), Testamento de partideiro (Candeia, 1975), O mar serenou (1975), Preciso me encontrar (1976), Zé Tambozeiro (1978), entre outros, Candeia foi  a voz da resistência política e dos valores caros aos sambistas de raiz. Insatisfeito com os rumos tomados pelas escolas de samba nos anos 70, incluindo sua Portela, fundou com outros bambas o Gremio Recreativo de Arte Negra e Escola de Samba Quilombo.

O ziriguidum: O depoimento de Waldir 59, baluarte e ex-diretor de harmonia da Portela, é um documentário dentro do documentário.

Onde ver: Faz parte da programação do Canal Curta! Ainda não disponível  em DVD.

 

E aí, gostou da lista? Tem alguma sugestão de documentário ou filme de carnaval? Coloca aqui nos comentários e compartilhe com a gente.

 

9 Comentários
  1. Isa Diz

    Muito legal me deixou feliz

  2. Claudio Henrique Diz

    Que boas referências!!!

  3. Hélio Ribeiro Diz

    Ótima resenha. Imediatamente fui assistir o documentário sobre Eulália. Adorei. Vou a caça dos outros. Parabéns pela iniciativa, Urberto!

    1. Umberto Mauro Diz

      Hélio, este foi o doc mais “velho” que recomendei. Porém acredito que está, como outras “tias” do samba devam ser sempre reverenciadas. Sobretudo neste registro dos últimos dias de tia Eulália aqui na Terra.

  4. Edna Diz

    Precisamos valorizar a nossa Cultura.

  5. Magalhães Diz

    Parabéns pelo texto e pelas referencias. Precisamos de mais jornalistas assim no mundo do samba.

  6. Delavotre Diz

    Muito bom ler esses nomes,e saber que o berço do samba ainda vive !
    Deixaram um legado..uma voz..uma força..uma atitude!
    🎶”Não tenho dinheiro
    Só tenho pandeiro e viola
    Mas vem depressa pro meu samba
    Que ele consola “

    1. Umberto Mauro Diz

      Obrigado Delavotre. Pela referência ao mestre Candeia acredito que você recomende o documentário desta figura nobre do Samba. Rs. Obrigado. Forte abraço.

  7. RobertGep Diz

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