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Mudança no comando da Liesa balança o mundo do samba no Rio

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Rio de Janeiro – Em um ano sem os festejos de Carnaval e desfiles no Sambódromo, a mudança no comando da Liga Independente das Escolas de Samba do Rio de Janeiro (Liesa) é um dos principais enredos do momento. A eleição está marcada para ocorrer no próximo dia 16 de março, e o coordenador da entidade, Jorge Perlingeiro, de 78 anos, a voz marcante na apuração na Sapucaí, declara-se candidato em chapa única.

O dirigente conta com o apoio do presidente de honra da Beija-Flor, Anísio Abrahão David, e o da Vila Isabel, Aílton Guimarães Jorge – dois poderosos integrantes da cúpula do jogo do bicho no Rio de Janeiro.

“Historicamente, sempre há chapa única, eleita por aclamação. Estou na Liga desde de sua fundação, há 37 anos. Outros nomes foram apresentados, mas fui escolhido, com o apoio do Anísio e do Capitão Guimarães. Acho que pesou o fato de não estar vinculado a nenhuma escola. Sou Vila, mas apenas um benemérito, nunca beneficiei a escola. Agora, é encarar o desafio. O Carnaval envolve muita coisa, é importante para o Brasil e para o mundo”, afirmou Perlingeiro.

Perlingeiro, além do apoio de Anísio, conta ainda com a aprovação de Gabriel David,  filho do presidente de honra e conselheiro da Beija-Flor. que está no comando da escola. “É uma mudança importante. Não necessariamente a saída do Jorge Castanheira. A reestruturação da Liga é necessária para o futuro do Carnaval. O Castanheira já está há muito tempo no poder e entende isso. Acho que o Perlingeiro, de alguma forma, tem uma ligação com o Carnaval tradicional, viu ser construído, com o mundo e o mercado, principalmente, com a comunicação atual”, diz David.

“Ele tem total apoio, não só do meu pai, mas meu também. Espero que a mudança aconteça da melhor maneira possível e que o Carnaval venha a trilhar um futuro próximo de resultados positivos e  volte aos seus anos de auge”, defendeu o conselheiro da Beija-Flor.

Na engrenagem do Carnaval, o atual presidente da Liesa, Jorge Castanheira, sempre foi considerado peça-chave. Entrou na Liga como office-boy, em 1985, e está na presidência desde 2007. Ele conta com o apoio declarado do prefeito Eduardo Paes, mas muitos acham que não será suficiente.

Nos bastidores do samba, o principal motivo da saída seria o anseio das escolas por mudança. A entidade, que não teria um departamento comercial forte, precisaria de renovação para tocar projetos inovadores e enfrentar revisão de contratos, como pretende a TV Globo. Procurado, Castanheira não se pronunciou.

Se por trás das alegorias e adereços o assunto sobre a eleição pega fogo, na frente da plateia muitos presidentes ainda alegam estar em compasso de espera. “Não tenho posição formada. Ainda não fui comunicado de nada”, sustenta o presidente da Vila Isabel, Fernando Fernandes.

Fundada em 24 de julho de 1984, a Liesa foi criada para defender os interesses das escolas de samba do grupo especial do Rio de Janeiro, mas com influência da cúpula do jogo do bicho. Além de organizar os desfiles, a entidade é a responsável pela venda dos ingressos e representa as agremiações em contratos com patrocinadores e poder público.

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